Você é velho ou vintage?

Frequentemente meu filhos me chamam de velha, ou simplesmente “véi”, quando recebem um “não” ou alguma outra resposta que os contraria. Sempre tentando usar o poder do convencimento: ”Mas véi, deixa eu explicar…”.

E essa semana, eu, conversando com meu marido, sobre experiência versus idade, me deparei dizendo: “Ah, mas aquela pessoa é velha!”. Ao que ele me respondeu: “Mas eu também tenho essa idade, então sou velho?”. Respondi: “Você não é velho, somente idoso, o que quer dizer que tem muitos anos acumulados. Você é vintage!”. Foram muitas risadas… e muitas reflexões.

Com o mundo falando tanto sobre life long learning, ou aprendizado durante toda a vida, pensei que realmente faz todo o sentido nos perguntarmos: “Sou velho ou sou vintage?”.

Considero velha aquela pessoa que já parou de sonhar, de acreditar que pode buscar algo novo, um outro ponto de vista, a convivência com algo fora do seu padrão e talvez até bem distante da sua zona de conforto. Isso não quer dizer que eu acredito que devamos viver em eterno desconforto, mas que poderíamos, sim, nos manter sempre alertas para entender quando essa zona de conforto é excessiva, limitando a nossa visão de mundo, nos fazendo parar no tempo.

E, assim, como uma peça de mobiliário ou um utensílio doméstico muito velho, que cai em desuso e fica encostado em um canto da casa, também nos tornamos velhos.

Já o vintage, ah!, eu adoro peças vintage! Acho que por isso mesmo eu adorei essa comparação! O vintage é o que tem muitos anos de uso, mas sempre repaginado, moderno, atual, apresentando novas perspectivas, cabendo em diferentes tipos de decoração, como destaque ou como complemento, misturado com outras peças, de diferentes gerações, padrões de moda, enfim… o vintage traz a possibilidade de imprimir a sua personalidade em um ambiente, mesmo com riscos, amassados e até remendos, mas ainda com a beleza dos muitos anos de uso, mostrando uma linda história, com coisas interessantes para contar e sempre com a energia do novo.

Afinal, não é para isso que vivemos? Para aprendermos com nossas experiências, nos renovando, reinventando e desafiando a cada dia?

Que graça teria o mundo se todos fossem velhos (não idosos) e não vintage?

Bettyna Gau Beni é consultora e cofundadora da Evoluigi.

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Comentários
  • Helena miyahara
    Responder

    Adorei a comparacao!! Me sinto total vintage, moderna no meio da modernidade

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